domingo, 16 de abril de 2017

Iesu Cristo



Não importa se esta figura existiu  ou não.O cientificismo acabou,em que a objetividade é uma exigência para a eventual legitimidade de alguma coisa.Também a concepção de ideologia como consciência falsa(Marx)foi substituída pela visão gramsciana de que a ideologia é uma verdade , uma consciência verdadeira para a subjetividade crente.
O significado psicológico é uma verdade,com consequências reais .(cristianismo)
A humanidade sempre procurou modelos,pelos quais fosse possível organizar a sociedade,mas também para estabelecer o sonho tópico de irmanação dela toda.
Para isso é preciso algo que seja comum a todos e que gere discursos,o logos,comum,a todos.Este modelo,que parece ser o definitivo é o da dor humana,o sofrimento humano.Aí teriam nascido as formas mais modernas do comunismo,porque para livrar o ser humano daquilo que o oprime,causando-lhe dor,é preciso reconhecer a causa destas mazelas,sejam elas o desamor,as relações sociais sociais de exploração ou quaisquer outras,como o indiferentismo.
Deve haver uma relação entre quem está embaixo da cruz e quem está pendurado lá e talvez seja este o começo da utopia ,até mesmo para aquele que não é cristão.

domingo, 9 de abril de 2017

Trump e a Rússia



Era lógico que a admiração pessoal de Trump por Putin iria sucumbir diante da lógica do processo de politica internacional.Que tipo de colaboração os dois podem ter,existindo uma crise como a da Síria?E com a Europa no meio?E com a Real politik sempre predominando?
Trump achou que as duas nações engrandecidas fariam o seu papel controlador no mundo?Foi daí que eu tirei a idéia de que Trump pensava muito mais em termos empresariais e não conhecia politica internacional.
Continuo nesta linha,porque o que ele fez ,a retaliação,era óbvio diante de crianças respirando gás sarin.Isto só ajudou aos Estados Unidos e à sua imagem.Mas e daqui para a frente?
Não adianta só culpar,com uma certa razão,o governo Obama,que na falta de força de paz  da ONU,deveria ter invadido o país ,é preciso ter uma estratégia,já que a de “ forças de paz” não foi aceita.Se o governo não aceitou(e a Rússia)porque ficou parado?Agora Trump vai colher estes frutos,que poderiam ser dos democratas,porque ele já foi em grande parte  legitimado.
Não ficou clara a vantagem estratégica militar de matar criança com gás e é lógico também que esta atitude foi uma provocação para os americanos participarem,mas sem ampla capacidade de manobra.Os Estados Unidos estão sendo manipulados.Se têm legitimidade não podem se aprofundar,com o risco de se atolar neste lodaçal.
Uma saída diplomática?Qual?Aceitar o ditador da Síria?Continuar neste jogo de gato e rato com a Rússia?Só favorece esta última.Tudo isto enfraquece o governo de Trump.
É (ou era)o momento de as forças pacifistas retomarem a necessidade de intervenção, humanitária,pelo menos,das forças de paz ,o que seria o gérmen do lançamento de uma politica pacifista,que pelo menos preservasse as pessoas e começasse a minar as bases da real politik,que está na crista da onda sempre.
Toda a crise apresenta grandes oportunidades e esta,agora,é uma delas.Agora é hora do internacionalismo.Mas onde estão as forças politicas capazes de pensar teoricamente isto?

domingo, 26 de março de 2017

Porque o povo não vai às ruas?



O povo não  vai às ruas exatamente por estar inserido numa das famosas antinomias gramscianas,que os corifeus da esquerda brasileira citam,mas não passam para o povo,com medo de perder a sua situação de vanguarda.
Sim porque isto acontece também no lado da esquerda.Não é só a burguesia que mantém o povo na ignorância para melhor manipulá-lo.A maioria do povo aceitou estas reformas,confiando que os “doutores” sabem o que fazem.Esta é a verdade que não quer calar.

Qual seria a tarefa da esquerda?Eu ouço isto desde pequeno:transferir a cultura,principalmente erudita,para o povo, através dos partidos de esquerda.Gramsci dizia que o povo,mal informado, só via a ponta do nariz,no que ele chamava de momento egoistico-passional.Todo o povo está preocupado com  o que  ocorre só na sua imediação.Quando juntou a copa do mundo,a olimpiada  os 0,20 centavos o show geral carreou a massa;agora,não tem show  nenhum,não tem festa,com churrasquinho na esquina e periguete rebolando.
Quem vai se interessar por complexos problemas econômicos?Quem tem condições de abordá-los?Os partidos de esquerda deviam preparar as pessoas,mas porque não o fazem?Porque militantes preparados podem por em xeque as vanguardas dentro destes partidos,que “ raciocinam” como burgueses e não como revolucionários/libertários.O trabalhador não é seu companheiro,mas seu competidor e o que move as vanguardas não é a justiça das relações econômicas,mas  o aspecto “heróico” das lideranças personalistas,que não querem perder esta “ identidade”.
A passagem do momento egoístico/passional para o da universalização racional é uma exigência da esquerda bem fundamentada,mas esta não existe aqui.Por isto não tem ninguém na rua para se opor a fatos muito mais graves do que aqueles que aconteceram na época dos vinte centavos.

sábado, 25 de março de 2017

O que significam a terceirização e o fim da justiça trabalhista?



Eu já tratei deste tema em outra ocasião mas como agora ele se tornou praticamente oficial sou obrigado a novamente abordá-lo.
Historicamente a terceirização é o máximo de “ liberação” das cadeias reguladoras “ medievais”(restos feudais[Nelson Werneck Sodré]{tocarei neste assunto proximamente})do capitalismo predatório e sem mercado interno brasileiro.
Todo capitalismo é assim:ele vai passando por cima de todas as amarras reguladoras de qualquer jaez e origem que possui.Isto está em Marx.É da sua natureza,na busca do poder.
Contudo,nos capitalismos tradicionais, isto vem acompanhado de uma sociedade civil forte,um mercado consumidor amplamente desenvolvido e que mantém o processo na base,nesta sociedade e não no Estado,que,se predominasse(como no Brasil) acabaria  por engessá-la.
O capitalismo autárquico brasileiro,que não foi modificado em nada por Dilma e Lula(apêndices politicos deste capitalismo predatório),não possui estas características essenciais.Essenciais para o quê?Para a construção de um regime democrático pelo menos mais expressivo desta sociedade civil e mais aberto a ela;para a uma distribuição de renda,que se não perfeita,maior;e para a construção de um sistema educacional e uma mobilidade social ascendente também maiores e que atinjam de fato extratos menos favorecidos em maior quantidade.
Neste último caso eu já tinha tocado no artigo que fiz logo que se falou na terceirização,inicio do governo Temer(que devia ter saído junto com Lula e Dilma).A terceirização baixa os custos dos salários porque a mão-de-obra é desqualificada e desobriga o Estado e a sociedade de qualificá-la(obrigando o aumento de salários).Na construção civil por exemplo,um engenheiro vai dirigir equipes de pessoas  contratadas sem nenhuma formação.O que ,pelos erros cometidos,fará com que as obras demorem e os custos aumentem,favorecendo as construtoras.
As disparidades de renda aumentam se não há qualificação.
Na ocasião do meu primeiro artigo  teve gente que me critcou porque entendia que havia vantagens na terceirização e eu digo :num capitalismo avançado,como Marx mostrou, a quebra das peias feudais ajuda no progresso material da sociedade.Mas num capitalismo dependente(e que se vai aprofundar mais ainda como tal  a partir de agora),colonial como o nosso,em que  ,em que não existe a formação de uma nação,este tipo de visão,que só vê um lado da questão,o seu,não encarna apenas uma visão egoística(-passional[Gramsci]),mas não joga na necessidade de  se construir um “coletivo” nacional que favoreça a todos os setores sociais,não só um.
Quando Getúlio Vargas criou os sistema de sindicatos,eivado de peleguismo,dentro da relatividade das coisas, havia um compromisso de proteção dos trabalhadores,coisa que agora os sindicatos terão que fazer de modo ainda mais firme.Neste momento os trabalhadores,na relação direta com os patrões, tendem a ficar desprotegidos,ao sabor das manipulações (politicas inclusive[eleitoreiras])dos patrões.É lógico que alguns vão se beneficiar(talvez a classe média esquecida por Lula –Dilma)mas há que se pensar em todos e na edificação da nação brasileira,onde a democracia se amplia e as possibilidades de ascensão social das classes menos favorecidas se torne maior.
E num país em que o cidadão não tem escola,esta é a razão pela qual não vai às ruas.Assunto para o próximo artigo.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Porque defendo o parlamentarismo



Eu já fiz artigos sobre este tema ,mas eu queria ressaltar uma mudança havida na concepção de todo parlamentarismo.No inicio só se falava em governo de união    nacional quando as instituições e o país estavam em perigo.
Com a questão social ,quando os trabalhadores em seus direitos o estão também,é preciso que o partidos esqueçam as suas plataformas para resolver aquilo que é mais urgente no plano social.
No Brasil hoje o mais urgente todo mundo sabe:o desemprego de 12 milhões de pessoas.
Uma das razões pelas quais um dos pouquíssimos dirigentes esportivos é admirado por mim,Márcio Braga,é que,há algum tempo atrás quando o Flamengo correu o risco de cair para a segunda divisão,a primeira coisa que ele fez foi unir todas as forças do clube,inclusive seus desafetos.Não foi o “ Papai Joel”(era final de ano)que salvou o Flamengo,foi a união de todos.
O que vai acabar com o desemprego não são planos econômicos elaborados pelo Meirelles(um dos culpados da crise),mas a união dos diversos setores da sociedade,pera num sacrificio em nome de seus irmãos,dar a  contribuição devida para superar a crise.
Se fosse no parlamentarismo era mais fácil demover as forças politicas de seus interesses pessoais em nome de algo que é sempre maior:a  nação ou o povo.