segunda-feira, 23 de abril de 2018

O Fluminense e o campeonato brasileiro


Pausa porque ninguém é de ferro


Eu sempre quis expor esta “ teoria” aqui.O Fluminense(e o Botafogo)são times de “ resistência”,quero dizer o Fluminense sempre foi um clube de times bons e guerreiros.Os times de massa,como Vasco e Flamengo, não podem ser times “ compactos”,digamos assim,porque são forçados,pelas torcidas, a jogar sempre para a frente.Quando é preciso recuar não é admissível.
Penso que a incompreensão desta verdade(fora a má gestão do Eurico)é o que tem prejudicado o Vasco,já rebaixado três vezes(kkkk!).Porque o campeonato brasileiro de pontos corridos(e  aqui já coloco a minha teoria)é um verdadeiro campeonato,na própria expressão do termo.Ele não é um torneio,mas um campeonato de fato e como tal ele exige resistência.Exige mais coletivo e harmonia dos times do que jogadores.Jogadores excepcionais sempre farão a diferença,mas mesmo eles precisam se harmonizar num coletivo(como sempre).
Não dá para jogar na frente  o tempo todo,pois as contusões e o desgaste são imensos.É melhor dosar as forças,dosá-las neste coletivo.
O Fluminense ganhou dois campeonatos neste formato,esportivamente justo,mas emocionalmente frio, por causa disto.E em duas ocasiões,ano retrasado e na época da compra imprudente e inútil do Ronaldinho gaúcho,o Fluminense adquiriu “ encaixe”.
No primeiro caso ,as contusões e a falta de banco(sem falar nas vendas de jogadores),desbarataram o time.No segundo caso,como eu já expliquei em outro artigo,Ronaldinho desmontou o equilíbrio do time.O Fluminense jogou com o Atlético Paranaense no Paraná e ganhou jogando nos trinques,mas ao enfrentar  o Vasco desandou.
A diretoria e a comissão técnica do Fluminense têm que atentar para estes fatos e para estas teorias.
Cada pessoa,cada clube e time ,possuem as suas psicologias.Há pessoas velocistas,outras “ fundistas” e muitas “ fundistas com barreiras”.Para cada um deles há que se aplicar um método adequado.
Bibi Ferreira disse uma vez que evitou os achaques de diretores teatrais  ansiosos,demonstrando que o método é diferente do produto final.O fato de uma pessoa ser lenta não quer dizer que ela não seja capaz  de se desincumbir de suas tarefas.Basta aplicar nos ensaios e treinamentos um método adaptado para que a pessoa chegue a seus objetivos,que não são rápidos ou lentos,mas adequados.
Um time de  resistência bem treinado pode enfrentar um time em eventual superioridade técnica(porque as coisas mudam com o tempo),como fez o Fluminense ontem com o Cruzeiro(NENSE!).
Uma atriz bem ensaiada pode fazer um Shakespeare sem problemas,porque  para isto ela não precisa correr,nem o time.



quinta-feira, 19 de abril de 2018

O abolicionismo das prisões e Lula


Quando era professor em Friburgo me converti,após assistir a uma  palestra de um desembargador,ao “ abolicionismo” das prisões.Por este conceito entende-se a supressão das prisões que foram criadas para a sociedade jogar para debaixo do tapete aquilo que é responsabilidade dela:ajudar as pessoas que nascem em condições sociais adversas.Depois desta “ jogada por debaixo do tapete” a sociedade faz da prisão ,da pura punição, um negócio e política,às vezes,e não raro,inter-relacionados.
A prisão ,em seus propósitos,foi analisada por Foucault,pelo menos na contemporaneidade,na qual a problemática dos direitos humanos é posta em evidência e contraposta ao sistema carcerário.
Setores que lucram com a guerra,lucram com as prisões.Quanto mais presos ,quanto mais bandidos, mais necessária é a segurança,mais “ necessário” é vender armas e sistemas de proteção para a “ boa sociedade” descansar em paz.
Está mais do que provado que a sociedade humana,como disse Foucault,abandonou o projeto de direitos humanos,cuja base está na solução definitiva da questão social,que continua.”O Homem  morreu” disse,uma vez,Foucault,querendo significar que o projeto de direitos humanos do século XVIII foi deixado de lado e é verdade.
Ninguém mais se importa com a questão social?Isto não é verdade,ainda há setores de esquerda que lutam,mas o projeto universal sofre abalos sísmicos profundos.
Eu,por meu lado,entendo,seguindo o projeto,que a punição não adianta nada.Não nego o direito de quem é vítima de crime de querer que o seu ofensor seja punido,mas acima de tudo a obrigação da sociedade de  reconhecer a relação entre miséria ,exclusão e crime e ,a partir daí,procurar soluções sociais,é claríssima e uma exigência incontrastável.
Por mim,corruptos,colarinhos brancos ,como Lula,não ficariam tanto tempo na prisão.Seguindo um pensamento de Evandro Lins e Silva,bastava devolver o produto do roubo e educar a pessoa(educar Lula[e os políticos]).
Nos dias atuais,sei que esta afirmação causará escândalo,porque o colarinho branco não vai para a cadeia,enquanto o faminto sim.Se a sociedade brasileira tivesse,como devia,alcançado um nível de compreensão quanto à natureza do crime ,tal proposição era (e é) a melhor.
Se fosse assim a pura entrega do produto do roubo por Lula e os outros políticos seria suficiente para pô-los no limbo,pelo menos por alguns anos, ou afastá-los de vez do cenário.
O problema é que a justiça não tem a confiança do povo,os políticos também e a população acaba justificando os seus “ pequenos” delitos por causa da falta de exemplos edificantes e o círculo vicioso continua.
Mas por mim Lula devolvia tudo e voltava para casa para ver a política pela televisão.

terça-feira, 17 de abril de 2018

Antes,Aécio, ou enfim, coerência


Antes de estender o artigo anterior,não posso deixar de comentar a decisão de agora há pouco,tornando Aécio Réu numa ação para investigar a propina de dois milhões,a que eu me referi há algum tempo atrás e que considerava(como considero)base para uma condenação.Preste bem a atenção,leitor:condenação.Não costumo fazer afirmações deste tipo,por razões óbvias,mas também não me omito em dizer o que eu acho.
As circunstâncias do processo de Lula são semelhantes ao que provém das maquinações de Aécio.Se valem os mesmos procedimentos ,Aécio tem que ser condenado e se não o for,Lula tem que ser solto.
Ninguém passa recibo de corrupção.O que se ouve nas fitas do caso Aécio é claramente uma forma de diversionismo:ele pediu propina,mas diz que pediu um empréstimo.Até agora não provou a natureza deste empréstimo.Não existe isto de uma pessoa pedir um dinheiro a um “ amigo” e não haver nenhum documento,nenhuma confissão de dívida.Principalmente entre “ amigos” políticos.E se foi para pagar advogados,porque não há registros do serviço prestado?Também o advogado não exigiu publicidade na transação?
Isto tudo precisa ser esclarecido,mas a minha conclusão eu já coloco agora,em função do que tem acontecido com outros políticos.
Atacar o PT é justo,em face das mudanças ocorridas dentro deste partido,mas não me venham com esta história de que a estrutura da corrupção não está nos outros partidos,no sistema político.A responsabilidade de atacar,como nunca,a corrupção,engendrou outra,a de ser completo agora.É a máxima da literatura de Balzac:” Se vamos criticar a sociedade,vamos até ao fim”.Não há  como recuar agora e a isonomia pede para que ninguém seja poupado desta investigação geral,inclusive o Presidente da República.É a hora de o povo brasileiro entender a distinção necessária à democracia entre ela própria e o estado de direito.Não se pode usar o estado de direito como mediação da política e vice-versa.
Eu já acho muito questionável este espetáculo em torno de Lula e de Moro.Quanto mais banalizável for a reação do povo,mais igual aos políticos ele será(como de feto e constitucionalmente é).
Os políticos são só cidadãos em uma posição diferenciada da dos outros,mas a distância não é tão grande assim e muito menos na proporção que o salvacionismo de Lula desejava.
O meu lema ,mutatis mutandi,é o mesmo do Bope,” entrar para matar e não para morrer” e normalmente há que se estar muito bem fundamentado para dizer  condenação,mas não tem jeito:comprando os casos,o destino de Aécio é este:condenação.

domingo, 15 de abril de 2018

Trump,Siria,Putin e a hipocrisia geral


Até onde vai o limite do fato político e do fato histórico e daí para um fato meramente jornalístico,é uma tarefa muito difícil para o analista,mas é preciso fazê-la  afim de evitar certas ilusões ma busca de determinadas informações.
A tendência da mídia é sempre supervalorizar o que ocorre no cenário político nacional ou internacional porque isto repercute nela própria.Ainda me lembro da emoção de Eron Domingues em transmitir a renúncia de Nixon,segundo ele o ápice de sua carreira jornalística.Só que esta emoção o levou à morte dois dias depois...E o fato não é tão importante assim...
Há uma supervalorização daquilo que se considera um fato histórico,por várias razões,entre as quais  a que eu disse,mas existem outras.Na época da Guerra-Fria todo mundo achava que alguma coisa de novo e cataclísmica iria se dar e qualquer episódio gerava as reações exemplificadas acima.
Nós vivemos ainda na Guerra-Fria.No próximo artigo eu vou tratar disto.Aqui no Brasil o fantasma de 64.Internacionalmente EUA,Alemanha e Rússia protagonizam uma “ nova” luta pela hegemonia ,semelhantemente à II Guerra Mundial.
Tem-se a impressão de que o mundo jornalístico gosta deste período,porque está sempre tentando dar uma visão consentânea com ele,embora o tenhamos ,supostamente  superado.Mas o pior é que há um certo motivo objetivo,factual ,para isto.
Explico:pelo fato de estarmos ainda na guerra-fria,ou,pelo menos,sendo influenciados por alguns dos seus elementos,não quer dizer que acontecimentos políticos estejam no mesmo diapasão.
Este é o caso deste ataque de Trump e aliados na Síria.As bases do problema sírio já foram colocados por mim em outros artigos passados e eu só vou relembrar aqui:quando o povo sírio quis seguir a primavera árabe o ditador Assad,apoiado (tradicionalmente)pela Rússia,impôs uma imensa repressão que dividiu o país.O estado islâmico se aproveitou desta divisão e da perda pelo governo de parte do território para se fixar.Ponto.
Mas ao recrudescer a crise a discussão foi semelhante àquela que precedeu a invasão da antiga Iugoslávia:quem deveria invadir,por “ motivos humanitários”,era a ONU ou os Estados Unidos?Nos anos 90,no governo Clinton,ninguém teve dificuldade em responder a esta pergunta,porque os Estados Unidos o fizeram sem problemas.
Agora,outra pergunta se põe igual,como se fez no inicio desta crise:a ONU ou os Estados Unidos.Ninguém quis se imiscuir no problema,porque não havia vantagens políticas,ou seja,hegemonia dos Estados Unidos.
E como efeito desta omissão dos Estados Unidos de Obama(antes de tudo um americano)e da ONU,as coisas estão como estão.
Mas porquê Trump invadiu?Porque agora o problema da hegemonia nacional americana está posta por seu governo nacionalista e exclusivista.Para confrontara a Rússia e marcar um papel mais autoritário do país,Trump o faz.
A França e o Reino Unido estão enfraquecidos diante da Alemanha e da Rússia e por isso apóiam Trump.
E porquê a Rússia não reage?Porque  o essencial para o governo de Putin,bem como de Teresa May ,Macron e o próprio Trump,é manter a escalada armamentista da guerra,porque os cartéis da guerra,os vendedores de armas são os sustentadores de Putin,bem como do republicanismo de Trump.
Com a eleição de Trump,acabou a Comunidade Européia e voltou o “ concerto hegemônico das nações”.Tudo está no seu lugar,” não”há motivo de escândalo.