terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Mussolini e o Papa João Paulo II



Estas duas figuras históricas são a meu ver as que deram inicio à guerra fria e a finalizaram.Isto é Mussolini criou as condições para tanto,tanto quanto a revolução de 17,porque ele criou o regime político destinado a se contrapor à ascensão pós-primeira guerra do comunismo;e o Papa João Paulo II porque fechou o caixão do mesmo quando ajudou nos acontecimentos da Polônia.Pouca gente se dá conta hoje de que foi quando se deu a transição na Polônia,que os demais países do leste intentaram com sucesso as suas “ revoluções de veludo”.
Mas o que mais me interessa nestas duas personalidades e com as quais,até certo ponto  eu me identifico é que elas estiveram no meio de vários modelos de solução para sociedades conturbadas e conseguiram ,através de uma visão equilibrada do real,obter uma solução,no primeiro caso provisória porque errada e no segundo uma porta aberta para o mundo de hoje,em que as questões decisivas não são resolúveis por modelos autoritários definitivos.
O que vale hoje e sempre é o mundo real.
Mussolini era um socialista ,pacifista,mas por pressão e por oportunismo,antes da revolução de 17,mudou de posição ,apoiando a entente,a Inglaterra e a França,para obter vantagens para seu país(mundo real).
Tendo sido enganado por estas potências,correu o risco de sumir,abafado por Gabrielle D´Anunzio,mas diante da ameaça soviética ofereceu uma proteção à burguesia italiana e mais do que isto ,com esta base pode projetar um nova visão da Europa,também ameaçada pelos bolcheviques.
O Papa João Paulo II ajudou a dar uma surra política histórica nos bolcheviques,mas demonstrou uma compreensão do mundo real e da necessidade de respeitá-lo quando refreou os impulsos de toda a direita em relação à Cuba.
Lembro-me bem que depois da queda URSS,Walesa deu entrevista publicada no Globo,dizendo” o próximo passo é Cuba”.Todo o mundo colocou garfo e  faca na mão ,um guardanapo no pescoço e ficou na mesa,esperando.
O Papa,no entanto,fez ver que a maioria das pessoas em Cuba, a maioria esmagadora, é católica e que um cataclismo neste país,como o que estava ocorrendo no leste,seria algo fatal e inadmissível de se promover.
Os poloneses,homogeneamente católicos, conseguiram evitar a dilapidação ocorrida em algumas nações eslavas(sem falar na Iugoslávia),porque se mantiveram unidos em torno do país.Em outros lugares,como Bulgária e mesmo a Rússia,máfias ocuparam o lugar do governo até hoje.
O único problema da Polônia pós comunismo foi o consumismo e a pornografia,o que levou o Papa,na sua primeira visita ao país depois da transição a dizer ,numa homilia em italiano(para que a Europa toda pudesse ouvir)que só quem tivesse uma vida realmente eucarística(e não pornográfica)comungaria e entraria na Igreja.Só isso.
O respeito à nação,às suas peculiaridades é a condição de progredir de forma equilibrada.Respeitando o mundo real,podemos mudar esta situação atual para melhor,porque pelo menos dispensamos modelos absolutos que não dão conta do real.
O Papa chegou a  fazer,na década de 90 ,certos elogios ao comunismo,quando ele não era mais ameaça,mas era só para mostrar que nos regimes comunistas o que tinha mudado ,a partir de 17,era só a cúpula,porque a população em si mesma,continuava fiel a tradições  antigas,inclusive a dele.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Esclarecimentos sobre o meu artigo sobre o truque de Constantino



Conforme eu disse logo no inicio do mesmo,a honestidade das pessoas que praticam caridade,não é questionável,contudo não venham me dizer que é uniforme e que não existe o interesse da fazer crescer a religião a partir da pobreza.
No passado posturas anti-religiosas radicais afirmavam que a religião só prosperava porque havia a pobreza.Eu não chego a tanto.As alternativas criadas para superar o problema da miséria não deram certo e estamos ,às vezes,não raro,diante de uma fatalidade.
Viver num mundo que considera esta fatalidade como algo digno de caridade é melhor do que viver num mundo em que predominem nazistas,que justifiquem o massacre de pessoas inúteis etc,etc.
Mas não há como negar esta relação entre religião e política,religião e mercado,religião e reprodução de poder.
Eu não gosto muito da identificação que a torcida do Fluminense faz com o Papa João Paulo II,porque a torcida é constituída de outros credos e a sociedade é plural,em todos os sentidos,ou melhor,deve sê-lo.
Por acaso uma pessoa não-cristã,atéia(como eu)não pode se compadecer do sofrimento,como o de Cristo?
O que eu disse nos meus artigos até aqui?Uma coisa é a crença legítima,outra o uso político,mercadológico,de poder,que se faz dela.
Foi somente isto o que eu disse.Talvez pensando na abundância do bem,que nós procuramos,tanto quanto a abundância material,que livraria a humanidade da miséria,possamos pensar na ajuda tanto das religiões quanto do estado,mas a religião não pode governar,direta ou indiretamente.
Governa o cidadão,que ,no seu íntimo tem valores religiosos e os usa para escolher e atua;mas a condição do cidadão,do trabalhador,que tem uma vida pública também quando sai de casa para trabalhar,é diferente da do crente ou religioso,que usa  a orientação axiológica da religião na sua vida  privada,numa especificação da dicotomia público e privado,criada pela burguesia e pela religião protestante e pelo republicanismo moderno,que eu aceito como conquista definitiva da humanidade.
Foi o que eu disse.

domingo, 14 de janeiro de 2018

De onde eu vim



Eu tive a mesma origem de muitos que escrevem nas redes:acreditava em modelos que fossem capazes de dar uma resposta definitiva para os problemas da humanidade.A culpa foi minha em não me explicar antes de fazer estes meus artigos,o que tinha mudado na minha cachola.
Não há modelos,há o mundo real.Em pleno século XXI,supostamente da tecnologia e da ciência, nós agimos da mesma forma que os acusadores do grande filósofo Spinoza,acusado de ateu e expulso da comunidade judaica,no século XVII.
Todos se lembram de parte desta sentença tristemente famosa:”Maldito quando ele entra,maldito quando ele sai”.Spinoza não tinha escapatória:ou acreditava no Deus dos judeus ou estava fora.
Mas Spinoza não era um ateu,ele tinha o Deus dele.Ele tinha o modelo dele,contraposto ao dos Judeus.E a comunidade judaica,como de resto todo mundo,chama de ateu aquele que não acredita no seu Deus.
As conclusões que eu tiro destas idas e vindas é que as idéias,os valores,as crenças, só têm sentido na medida em que fazem parte de projetos de poder.Esta é a regra da humanidade até hoje.Por vários motivos todo mundo se “ encaixa” numa determinada referência para ser reconhecido e ser protegido.
Mesmo a postura metafísica de Spinoza tem um pé nesta verdade,porque ele constrói um outro modelo,que  supõe ser o verdadeiro.Embora ele seja moderno por não querer impô-lo,está ainda(como toda a metafísica)preso a este passado e a esta concepção.
O marxismo,que se pretendia, com a  dialética, trazer o movimento da sociedade para a observação científica,portanto,para o real,se enganou também,como eu tenho provado( e vou continuar),pois a dialética é uma ilusão.
O que não é uma ilusão é a experiência humana complexa e temporal(ela não é no tempo infinita ou eterna porque não se sabe se a humanidade subsiste indefinidamente).O esforço real no cotidiano para achar soluções que sirvam no imediato(sociedade) e no mediato(humanidade[entre a humanidade{e vice-versa-dialéticamente falando}e a sociedade existe uma continuidade).
O ser humano consciente,em todas as épocas e agora é aquele que vive nesta experiência,deixando de lado estes modelos,inevitavelmente parciais.
Eu vim de uma exacerbação desta verdade modelar.do marxismo e do socialismo real,cujos fracassos me orientaram a pensar melhor dentro do mundo real e o mundo real,imediato,cotidiano ,é o da nação.
Não me venham dizer que eu estou olhando para o umbigo ou só para a ponta do nariz.Leiam com atenção os meus artigos,aqueles que me criticam:através do imediato se chega ao mediato.Do cotidiano se chega ao coletivo e vice-versa e da nação se chega às outras,à humanidade e vice-versa

sábado, 13 de janeiro de 2018

O patrono da educação brasileira não é Paulo Freire,mas Anisio Teixeira



Paulo Freire integra o marxismo brasileiro na educação,mas foi Anisio Teixeira  quem analisou o Brasil como um todo.Além do mais não se pode caracterizar um educador completo apenas por um método de alfabetização,que por mais bem motivado que seja,expressava uma idéia de classe e não uma idéia de Brasil,um projeto para o Brasil.
Esta minha avaliação de dois educadores segue o método que eu estou paulatinamente colocando aqui nos meus artigos.
A solução do problema nacional não reside somente em resolver o problema da exploração capitalista,que é realmente um baita problema.A opção preferencial pelos pobres deve estar sempre na cabeça do homem de bem e do articulista e analista,mas todas as classes devem entrar no estudo pedagógico do Brasil.
 Somente uma visão de conjunto do país,com a relação entre as classes, será capaz de apontar um caminho de desenvolvimento e nisto a educação ocupa evidentemente um papel decisivo,sendo este um clichê mais do que justamente repetido.
Anisio havia proposto uma universidade brasileira que consagrasse todos os brasileiros.Propôs também uma equiparação,idéia excepcional,entre o trabalho manual e o intelectual,criticando a sua horrível disparidade.
Este raciocínio naturalmente atinge as relações de gênero ,homem e mulher,havendo mais do que necessidade de igualar o trabalho da mulher com o do homem,para que ela se livre do patriarcado.
Estas formulações é que  mostram a estrada de um projeto nacional,que se iniciou em 1930 e que tem como seu prócer mais importante no campo da pedagogia  Anisio,não  Paulo Freire.
Cabe falar também que Anisio seguiu John Dewey ,um empirista americano,supostamente liberal mas que tinha vinculações muito seguras com o socialismo,com uma visão de inclusão total  igualitária de todos no processo educacional.
Ressalte-se quanto a Dewey e Anisio que esta postura empírica é a melhor,pelo menos na abordagem de uma pedagogia  em geral,não sendo uma boa decisão usar teorias,porque nenhuma delas é capaz de dar conta do problema educacional como um todo,só se aplicando a determinadas finalidades e objetivos.
Aqui ,na época da ditadura,que perseguiu Anisio,se impôs a figura de Piaget(sem ninguém tê-lo consultado,como pensa um filósofo auto-arrogado aí do youtube),mas não pela esquerda e sim pela direita,então no poder,para,com o sócio-construtivismo manter a juventude despreocupada dos estudos  e interessada tão somente nos ganho materiais.


quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

O truque de Constantino e o culto de Nossa Senhora de Aparecida



O truque de Constantino vem desde a Mesopotâmia e do Antigo Egito:a religião justifica a dominação,a exploração.Mas eu já acrescentei ,em outras análises,conseqüências fundamentais para este esquema,tão antigo quanto a civilização.
A consequencia mais deletéria é desobrigar o Estado de cumprir as suas funções de ajuda às pessoa desamparadas.Eu digo isto porque até aos dias de hoje é assim.
Não há como não aplaudir a iniciativa de pessoas religiosas honestas em ajudar.Contudo ,ao longo do tempo e da História ,isto cimenta a omissão do estado e facilita os seus mecanismos de corrupção.Parte do dinheiro que vai para os seus cofres não é fiscalizado,com a devida atenção,porque o problema social foi aplacado pela religião,através da caridade.
Ao tornar o cristianismo religião oficial do império romano Constantino reinterpretou este conceito e esta aliança entre o poder do estado e  a religião.
Ocorre que nós vivemos numa época de suposta separação entre a Igreja e o Estado.De novo lembro Foucault aqui:nominalmente esta intenção é assumida por todos,mas na prática ela é totalmente contradita.
Dentro das discussões sobre o politicamente incorreto este problema é revisitado.A direita monárquica brasileira,que tanto criticou as relações do catolicismo com o marxismo,pela teologia da libertação,agora faz o mesmo com a sua ideologia.Agora eu entendo o papel de Leandro Karnal.
Como o culto de Nossa Senhora foi incrementado pela “ redentora”,Princesa Isabel,este bastião do reacionarismo pátrio,que são os Orleães e Bragança,a fé do povo está sendo usada para conduzi-lo à aceitação da monarquia como solução “ moderna” para o país.
Há muitos anos,precisamente nos anos 70 já se falava nesta questão.Usáva-se inclusive o Carnaval,que até então repercutia nos temas,gestos e vestimentas uma vinculação com a aristocracia brasileira do século XIX.E ainda se vê indelevelmente nas funções de Mestre-Sala e Porta-Bandeira .
Alguns sociólogos viram nisto uma inconsciente aceitação e agradecimento,pelo gesto da “redentora” e tinha um quê de verdade nesta apreciação(não que a monarquia salvou a raça negra,mas que esta se sentiu agradecida,dentro de sua falta de militância,é verdade).Foi em reação a esta realidade que a esquerda do movimento negro propôs ,como ídolo,a figura de Zumbi,muito questionável,por outras razões(em outro artigo eu falarei sobre isto).
Mas por trás desta resposta agradecida do negro brasileiro,há uma categoria da ciência política,que é vassalagem,hodiernamente chamada de “ condição de súdito”.
Pouca gente se dá conta de que a república só se mantém se os seus cidadãos forem  considerados iguais no plano político e “ súditos “ da lei.
Se ouve em todos os lugares que é absurdo que um juiz ,que prolate uma sentença,mande mais do que o Presidente da República,porque o brasileiro ainda vê o primeiro mandatário como continuador do Imperador,na perspectiva salvacionista(que Lula tanto gosta).
Neste caldeirão de  problemas conceituais a direita monárquica entra,de forma sutil e desonesta,para,se utilizando da fé do povo ,introduzir-lhe na consciência,a “ verdade” de que ser “ súdito” de um rei é bom e está mais consentâneo com as carências do povo brasileiro.
Seguindo aqueles sociólogos citados,como o povo brasileiro não é ainda um povo,não possuindo educação e cultura e não tendo interesse na política,a sua submissão seria educativa,pois alguém,um rei, poderia “ educá-lo”.
Como sigo a visão de Gramsci,entendo que toda fé é legítima,de foro íntimo(Engels na Comuna de Paris) e não pode ser usada nem pela esquerda,nem pela direita,para propósitos políticos quaisquer,porque isto não levará à uma elevação educacional do povo brasileiro,mas à sua dominação,num plano ainda mais letal,porque quase teocrático.
O que elevará o povo é a democracia mesmo.Como diz Miguel Reali pai(de direita),citando Hegel,não se pode aprender natação lendo um tratado e sem ter a coragem de se lançar à água.
O povo brasileiro é impedido desta forma,como em outras ocasiões,de aprender a democracia,não só pelo seu cotidiano de  excludência,mas também pela ação destas elites intelectuais cínicas,que ganham foros de importância na relação com o povo(vendendo jornais por exemplo),mas estabelecendo barreiras,enganado-o e se aproveitando da péssima educação que lhe é dada.
Esta direita está comprometida com o golpe e por isso segue-lhe os passos ideológicos.da mesma forma como no passado ,quando usou Pelé para justificar o fechamento do congresso,alegando que o povo não sabia votar.Hoje,ela manipula o sentimento legítimo do povo,para atraí-lo para um projeto político autoritário,sob a justificativa de que o povo brasileiro é tutelado ou melhor(pior)deve sê-lo,para aprender,não se sabe quando(a elite sabe)a ser um povo altivo.