sexta-feira, 22 de setembro de 2017

A Coréia do Sul




O que a Coréia do Sul fez na última quarta-feira ,para irritação de Trump ,é o que deve ser feito para evitar a catástrofe.E é o que o ditador norte –coreano quer com toda esta agitação.Sempre foi isto.
Sendo a Coréia do Sul a mais ameaçada ela não teve outro jeito senão oferecer ajuda financeira,mas isto é apenas inicio de um processo diplomático a ser  continuado.
Kim Jon Il quer legitimar o seu regime através da chantagem,mas o efeito de uma relação com os outros países é mais benéfico para uma transição pacífica de regime,como se viu e se vê em Cuba.
O ditador sabe que é uma responsabilidade histórica terrível destruir um país inteiro.E os sul-coreanos mais do que ninguém,sendo eles “ Coréia” também,com familiares morando até hoje no norte.
A perspectiva de Trump é a de um espectador longínquo,mas obrigado a proteger suas alianças e as suas áreas de influência.
Aí entra o Japão,que fica numa situação ambígua de pedir esforços diplomáticos,mas querer igualmente “ independência “ no pacífico.
Contudo a atitude humanitária é a da Coréia do Sul,pelo motivo acima exposto,das famílias divididas e é base que deve servir de fundamento à diplomacia,se se quiser humana.
Mas o imponderável continua atuando em favor da guerra nuclear.


A cólera das legiões




O pronunciamento do general  na última semana é a continuidade da História como farsa.64 continua aí:os erros crassos da esquerda ,que quer resolver os problemas na força e a reação da direita se fazendo mais presente.
O ato em si do general Mourão(que não é o vaca fardada...)não ter sido punido demonstra a fraqueza da autoridade e de outro lado se punição houvesse a repercussão seria muito maior e favorável à direita.Ou seja,estamos num beco sem saída.Só falta catalisar um sentimento de medo na sociedade civil brasileira,tão desorganizada ,para o rastilho de pólvora explodir o paiol.
E o pior de tudo:a intervenção constante e já de anos nas comunidades,nos problemas sociais,cria na imaginação de todos um arremedo de segurança que pode ser este catalisador.Tudo conspira novamente  para uma solução de força.
E ninguém duvide de que esta fala foi casual e fortuita,porque ela já segue uma estratégia,uma temporização,nas quais se encaixa o militar.
Os políticos,corruptos, perderam e perdem ,cotidianamente, o respeito do povo e a esquerda só fez besteira nos últimos 12 anos.Então o cenário está pronto para mais esta pantomima.

A reocupação das comunidades pelo crime



Eu já tinha dito antes da copa do mundo que a ocupação das favelas do Rio de Janeiro era só cosmética,para dar segurança aos estrangeiros e uma aparência de normalidade.Além do mais era uma promessa política de resolver o problema social,mas como eu já afirmei também,em texto sobre o Haiti ,nós vivemos num mundo em um imenso impasse,porque muito embora a direita e os hedonistas de plantão e de todas as épocas afirmem que está tudo bem,nós sabemos que o fim do comunismo não significou isto de forma alguma e a questão social continua na ordem do dia e se avolumando em problemas maiores ,cada vez mais.
Se o Brasil ajudasse na solução do problema fundamental do Haiti seria obrigado a solucionar o seu próprio e não implementou soluções sociais junto com as ocupações porque se o fizesse o teria que fazer com o Brasil todo.
É muito melhor viver num mundo em que as pessoas praticam caridade ao invés  de construir campos de extermínio.Mas a caridade é  medida deste impasse geral.É uma forma de aplacar a consciência culpada e incapaz de solucionar o problema social.É incapaz porque se o fizer terá que reconhecer os problemas internos dos países e a responsabilidade(histórica) dos mesmos.
Quem vai convencer a Alemanha de Angela Merkel,que está se tornando eterna no poder,de que ela e o seu(dela) país causaram a crise da Grécia?Eu me lembro que todos mostravam a vantagem e a necessidade de alternância do poder frente aos regimes comunistas,que tinham líderes eternos.E agora com Angela Merkel?Ninguém vai protestar não?
Os comunistas italianos entenderam que a alternância era essencial para evitar os conluios,os esquemas de poder e de corrupção,que geram e se reproduzem na miséria,inclusive na caridade.
Os esquemas eleitorais tradicionais acabariam se a vida social das favelas fosse melhorada,se os direitos dos seus cidadãos fossem reconhecidos e implementados.Por isso não houve e não há interesse em mudança.Por isso a exigência de implementação de direitos sociais nas favelas não se  seguiu à ocupação,que obedeceu,desde o início ,à lógica sul-africana dos “bantustões” e que agora ,com a superveniente crise de autoridade dos governos,vai ser atropelada pela bandidagem,que aterrorizará as comunidades,como sempre,inclusive se vingando.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

A Coréia do Norte



Para analisar o que acontece na Coréia do Norte e seu entorno,é preciso recordar como eu encaro os países do chamado “ socialismo real”.Estes regimes ofendem  a teoria e não têm fundamento.São “ gigantes” de pés de barro,prontos para cair.Como a maioria dos analistas o problema todo é o imponderável que esta situação básica provoca,mas existem alguns outros problemas ignorados.
Um dos problemas ignorados é a  relação do Japão com os Estados Unidos,porque no seu contexto ainda não acabou a 2ª Guerra Mundial,pois a Constituição nipônica é ainda tutelada.Os ataques da Coréia sobre o Japão são uma estratégia calculada para romper este equilíbrio que já devia ter sido modificado pelo passar do tempo e pela importância do Japão no mundo de hoje,aparentemente diferente do do século passado.
Digo aparentemente porque a sua continuidade pode indicar que,pelo menos da parte dos Estados Unidos,o Japão ainda é um perigo.
Os desenvolvimentos históricos do Japão até ao episódio Mishima em 1970 parecem indicar que o desejo de revanche ,principalmente insuflados pela potente direita japonesa(a qual pertencia Mishima),revelem que ,sob as cinzas,há brasa.
Outro aspecto:o físico brasileiro José Goldemberg concedeu uma entrevista ao Globonews no ano 2000 afirmando que a Coréia não tinha arma nuclear nenhuma,usando uma metáfora até engraçada:” é como se porque existe ferro nas montanhas de Minas,o Brasil estivesse com mais industriais e carros”.
De lá pra cá a situação mudou de um jeito drástico,chegando ao ponto de a Coréia poder ter,supostamente ,um arsenal próximo do dos EUA(eu não acredito).Então neste meio física/Mídia/agências internacionais,há um ruído de informação,proposital ou por incompetência  mesmo.
Mas a verdade é que a Coréia sempre fez este escarcéu para negociar nas suas bases algo que não tem nada a ver com transição para um regime democrático.É o mesmo o  que acontece em Cuba:se houvesse uma intercambiação,pelo menos comercial ,entre os EUA e Europa com a Coréia o regime tinha tudo para cair,mas o que impede isso é a China,porque ela teme uma catástrofe humanitária ,com milhões de migrantes  chegando nela,famintos e sem nada.
Não há como separar a questão da Coréia de uma transição e como ela não o quer, os elementos casuais,a falta de fundamentos naquele país e ,agora,a entrada de um doido na casa branca põem em imediata possibilidade  de acontecer aquilo que eu já pensava quando da queda da URSS):o acaso,a presença de um doidão(ou dois).A URSS, juntamente com os Estados Unidos,tinha meios de evitar,no contexto nuclear, o mais perigoso fator para o desencadeamento da guerra nuclear(que já começou[em Hiroshima e Nagasaki]{Hannah Arendt}),que eu penso que não será universal(pois só a China é aliada oportunista da Coréia).
Se houver um ataque dos Estados Unidos a China pode intervir e aí outros países podem vir a ajudá-la,mas eu não acredito,porque a China está empenhada em competir economicamente com os EUA e não sairá deste foco.

sábado, 9 de setembro de 2017

Crivella a repetição



Depois da segunda guerra,a preocupação moral com o destino da humanidade e os ventos da guerra-fria puseram fim à década de 30,de glamour e de uma relativa liberdade.Como resultado ,o jogo,que era parte desta década, sofreu um ataque conservador católico ,o qual o retirou da paisagem social brasileira até hoje.
As atitudes do prefeito Crivella,não são ,Mutatis Mutandi,diferentes do que o cristianismo católico tomou naquele período passado.Quem conhece história e  a história do Rio sabe  o que significou a sua vitória(ouviu Romário?):a vitória das igrejas evangélicas,deste novo cristianismo ,que entrou no vácuo de incertezas do catolicismo,acossado pela direita integrista e pelo marxismo.
E o preenchimento deste vácuo se dá numa forma símile de moralismo previsível contra manifestações culturais da cidade,como o carnaval e o baile funk.
Este ataque,no entanto,obedece ao mesmo mecanismo de 1948,quando os cassinos foram fechados no Brasil:” o problema não é o jogo é o que está em volta dele”,prostituição,drogas e (hoje)ideologia de gênero(a por em risco a família[“invenção genial de Deus”]).
E,na verdade,a condição objetiva para o fechamento dos cassinos e do ataque a manifestações culturais é que existe uma verdade nisto aí,quero,dizer,no discurso religioso.O Funk em si é uma manifestação cultural como qualquer outra e não há motivo para acusá-lo de nada,como tal,mas o seu entorno é discutível.O Carnaval é uma expressão legítima,mas carreia a nudez,a homoafetividade e a outras transgressões  ao mandamento divino.Sem falar nos problemas anteriores,que também estão lá.
As boemias,em todas as épocas,as festividades em geral,mundanas são herdeiras das festividades cristãs,as epifanias,que são ,dentro do fundamento religioso,glorificações de Deus.O Carnaval é um exemplo disto.
Contudo,com o fim da Idade Média e a assunção das massas,num movimento antropofágico,este sentido básico foi mediatizado por questões outras,necessidades outras,que hoje as  põem em risco (sem financiamento[como o carnaval]).
Estas festas,esta boemia,revela uma complexa realidade ,pois é difícil dizer simplesmente,no  bojo do estado de direito,que são ilegítimas.
Aquele que não é religioso,mas laico,como eu,tem uma obrigação de criticar estas mediações transgressivas,como o uso de drogas(não a homoafetividade),mas o problema das drogas,o problema da liberdade sexual só surgem, de maneira desviada e nestas festividades,porque a sociedade fecha o caminho de expressão do povo.
As necessidades legitimas de liberdade sexual não são recepcionadas pela religião(e pela sociedade[que quer impor um modelo cristão]) e a droga se tornou não só uma válvula de escape mas uma forma de identidade social,já que a nação,o estado,e as mediações de cidadania,não reconhecem o povo em suas exigências e desejos(quem é de esquerda sabe que para ser um militante hoje é quase obrigatório “ dar um tapinha”[e  a relação supostamente feita entre drogas e homoafetividade aqui nesta parágrafo não foi feita por mim,mas pela religião]).
Como não identificar  o sucesso  de Crivella e da religião política e socialmente,quando oferece às famílias uma chance de tirar os filhos das drogas?Quando oferece uma oportunidade de constituição de uma família ,para pessoas homoafetivas ,que,como quaisquer seres humanos,às vezes,entendem a sua opção só como uma forma de agressão ao meio familiar que não os aceita?
Muita gente que apoiou Crivella,o fez pensando nas vantagens eleitorais(Romário?) de uma enorme quantidade de votos,mas também nestas questões,só que,sem o conhecimento histórico,não viu que os argumentos católicos iriam se repetir,ou seja,que no meio do caminho da manifestação legitima do pensamento haveria o preconceito contra o homoafetivo,contra as festividades,supostamente causadoras do uso de drogas e contra as manifestações artísticas do povo.
A impressão que se tem é de um exclusivismo  modelar cristão,mas é pertinente,e era previsível,para quem conhece história.