sexta-feira, 13 de outubro de 2017

A “ Nova” Direita ou a era do espiroqueta.



A “ nova” direita não é mais do que o resultado dos erros reiterados da esquerda brasileira,que além de não ler,de não ter cultura,não tem conhecimento da própria história.Nós não discutimos,com a direita,desde a década de 60,que,no campo político,Jango estava perdido,pois que a maioria do povo brasileiro não era e não é comunista?
A esquerda brasileira continua usando categorias ultrapassadas.Uma é a consciência de classe do velho(sem aspas) Lukács.Porque o trabalhador é explorado,mas produz a mais-valia tem que seguir a teoria comunista,quando eu já expliquei aqui que o que move o sujeito social são os valores,esquecidos pela esquerda.Até lembrei o exemplo dos poloneses.Cansei de ouvir que os poloneses tinham se desalienado,no mundo do trabalho,mas a maioria esmagadora continuou católica e anti-comunista.
Que é isso?Errar uma vez tudo bem,mas reiterar é burrice.
Mas eu entendo o problema e já tratei dele em outros artigos.O leitor vai me permitir retornar  a este assunto:se modificar,fazer uma auto-crítica,renovar o marxismo implica para as gerações passadas em não só admitir os erros,mas em correr o risco de desaparecer politicamente e isto pessoas egoístas  e egocêntricas,que vêm o mundo por modelos universais e subjetivos não  suportam.
A ideologia junta,como já disse ,a vida pessoal com a “ teoria científica” e quando esta não está de “ acordo com os fatos” no dizer de Cazuza,não é só ela que vai pelo ralo,mas a vida pessoal também.Notadamente a do ressentido pequeno-burguês, a base sócio-psicológica do comunismo brasileiro,o qual não tem outra coisa  a fazer do que se  radicalizar,à direita e à esquerda.
A simbiose perversa,no entanto,é clara.Agora é a vez da direita,como sempre,mostrar as culpas da esquerda para crescer.Isto vem acontecendo desde o inicio do mensalão  e do acordo com os conservadores que Lula fez no final de seu primeiro mandato,que não foi melhor coisa nenhuma do que o seu segundo.
Desde então o fantasma do comunismo é trazido pela direita que quer chegar ao poder e para isto ela faz afirmações que foram debatidas e reconhecidas pela direita,representada por José Guilherme Merquior e pela esquerda,por Leandro Konder,José Paulo Netto e Carlos Nelson Coutinho.
Este último publicou  um ensaio famoso em 1978 “ A democracia como valor universal”,saudado pelos liberais e por Merquior.Leandro Konder disse inúmeras vezes ,(inclusive na minha frente)que a direita tinha razão em acusar o socialismo de ser totalitário ao invadir países soberanos.
Esta história de “ fé metastática”,com outro nome,já era reconhecida por todos no inicio da década de 80.
Então estes direitistas fraquinhos e financiados só têm valor na medida em que a esquerda continua errando.
O povo brasileiro é politicamente anti-comunista e no cotidiano se vê isto claramente .Para ser um esquerdista democrático é preciso partir daí e não da ilusão,como sempre.
Mas para se vingar dos seus torturadores a esquerda faz uma simbiose entre a tortura política e a tortura no cotidiano,que,embora até certo ponto válida,visa legitimar uma hegemonia de esquerda por fora da democracia e das eleições.
E para atacar as forças armadas,que não foram punidas,como deveriam,por seus crimes,desde 64,os governos subseqüentes de esquerda   as desmontam,as diminuem,como se o mundo fosse habitado por Gandhis e Franciscos e Santas Clara.
É a era do aproveitador,do espiroqueta.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Catalunha:seu significado.



Aristóteles,um analista da realidade,diferentemente de Platão ,mostrou que não existe,na política ,nenhuma forma ideal,porque nenhum discurso dá conta deste real completamente,que se transforma e é complexo.Assim com as teorias sobre a política  e sobre as pessoas.
Não existe um modelo ideal que reúna as formas de estado e governo com os povos,nas suas profundas diferenças.Pode-se falar em aproximações,em necessidade de um parlamento,de um lugar para se discutir,um executivo,mas as formas de relacionamento entre todos os elementos do problema são várias.
É isto o que acontece com os processos políticos em geral e o do separatismo em particular.Houve época em que o princípio do federalismo,defendido por Montesquieu,era tido como a solução ideal para a liberdade dos povos,pois cada um podia seguir o seu caminho do jeito que quisesse.
Esta,no entanto,não é uma verdade absoluta.As nações são grupamentos de classes inter-relacionadas e existe  uma relação entre as nações e o mundo em geral,com trocas culturais e comerciais.
Mexer nisto aí a partir de um critério absoluto ou ideal não é fazer justiça ou garantir a liberdade.
Além do mais o separatismo ,de modo geral,é proposto por interesses particularísticos também de modo geral autoritários.
Os processos de emancipação de certos municípios do Rio de Janeiro o provam e o Rock in Rio,sediado regularmente na barra da tijuca  cumpre um papel de autonomização financeira,que justifique um projeto que vem desde a década de 80,lançado pelo irmão de Roberto Medina,Rubem(apoiado por Zico).
Este projetos autoritários se fundam na demagogia de oferecer vantagens a determinados grupos,o que em lugares pequenos e com pouca população,às vezes,é possível.É possível fazer deste jeito um entroncamento próspero,uma espécie de Dubai ou kuwait no Brasil,virando as costas aos nossos problemas seculares.E não é outro o objetivo de colocar a estátua da liberdade no Shoping New York,para acoplar a barra não só a este estado estadunidense,mas principalmente ao empório consumista que é Orlando, na Flórida.
Certos países histórica e culturalmente constituídos merecem a separação,como a Techoeslováquia,país criado depois da primeira guerra para fomentar um nacionalismo positivo de povos irmãos,que podiam cooperar entre si.Isto é parcialmente verdade com os tchecos e eslovacos ,mas não o foi com os iugoslavos.
Na Irlanda existem estas condições mas a independência  do Eire acarretaria um enfraquecimento da comunidade britânica,sucedâneo do Império,num país(Inglaterra)já tão combalido,depois de sair da comunidade européia.
O fato é que no caso da Catalunha os propósitos parecem ser estes,mas  acrescidos das conseqüências  do quase fim da comunidade européia,que vai sendo substituída por pequenos países,num fracionamento que só favorece aos projetos hegemônicos,notadamente da Rússia da Alemanha ,que já dividem o leste europeu.
Não me importa que esta última seja contra o separatismo catalão,junto com a França,que tem mais motivos para sê-lo.Isto tudo vai de acordo com as circunstâncias.Por hora é assim depois muda. E ninguém está preparado para por em risco a existência de um país cultural e historicamente tão importante quanto a Espanha.Isto seria abrir uma brecha para por em risco outras nações.
Dizem que os socialistas( e comunistas não sei)estão por trás desta independência.Acaso não há uma burguesia na Catalunha?Ela vai ser reprimida num golpe?Haverá eleições ou um estado socialista totalitário?
Se for assim isto abrirá brechas para a direita se aboletar em nações pequenas,mais conservadoras, e aí o confronto da segunda guerra se repete em escala menor e o século XX continua aí,contrariando Hobsbawn e nós todos que o encerramos apressadamente.


E também não é verdade que a separação implique  num  progresso social que a autonomia política não consiga.Isto não é uma verdade absoluta.Há países muito pequenos com pobreza.

O século XXI seria marcado pela consolidação da comunidade européia,a qual alavancaria a integração de outras regiões num internacionalismo sensato dos mais decisivos,mas ao invés,regressamos a 70 anos atrás.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

O que me irrita na “ nova “ direita



Surgiu nos últimos anos uma “ nova” direita que vive batendo no marxismo para justificar a retorno a 64.
Tem um representante deles aí(não vou citar o nome dele não porque ele só me joga indiretas)que só é o que é porque fez escândalo com o marxismo e só tem independência intelectual,por fora da academia,por causa do marxismo,que é um pensamento crítico.
O Brasil está cheio de pessoas que não sabem trabalhar.Ora fazem escândalo com a vida pessoal de notórios artistas,ora se escudam em fenômenos graves,como 64 ,para adquirir uma notoriedade que não teriam se eles  não houvessem.
E este mesmo “ filósofo” de Youtube vive cartando independência ,mas é avalizado por grupos integristas que lhe dão sustentação.Cometeu crimes estalinistas na sua vida toda,sente-se culpado e aí inventa um modelo oposto de ditadura para esconder as suas responsabilidades.
Os outros representantes são a mesma coisa.
Mas o que mais me irritou foi um debate que eu vi no Youtube sobre Che Guevara,” mediado” pelo anticomunista William Waack,em que não se disse coisa com coisa.
Não é nada demais ter uma postura crítica em relação a qualquer coisa,muito menos sobre Che Guevara,mas é preciso conhecer o marxismo para poder falar sobre algumas delas.
Depois que deixei de ser comunista eu aprendi a ler e a conhecer os meus inimigos ou “ diferentes”,antes de falar.
A perspectiva dos intelectuais de hoje é só dar vazão a modelos de interpretação que não são eles que constróem e geralmente não abordam o próprio tema,mas se lhes aplicam,como se esta fosse um atitude ética.
Neste debate um “famoso” historiador afirma que a aventura de Che na África foi “ engraçada”,porque ele achava que as relações sócio-econômicas do Congo eram desenvolvidas,em termos capitalísticos.
Em sã consciência ,ainda que sendo inimigo da figura,é possível fazer uma afirmação deste tipo,irresponsável?Será que o Che não sabia disto?
O que o Che tentou fazer foi a tri-lateral dos países pobres,uma forma de forçar o imperialismo a gastar com guerras,pelo mundo todo,uma estratégia que é base da atividade do terror nos dias de hoje e que segundo uma reportagem da revista Carta Capital,há muitos anos,sobre a dívida pública dos Estados Unidos,foi a base da atividade de Osama Bin Laden,que a provocou.
Por mais que se critique o Che é preciso se atualizar nos conhecimentos que se têm sobre ele.Quem se atualiza não são os doutores das universidades porque estes estão mais preocupados com o poder do que com o conhecimento,que se modifica e acrescenta.
Por isto,não raro obras feitas por jornalistas são melhores do que os papers universitários.O livro do jornalista Lira Neto sobre os bastidores da escolha  do Presidente Castelo Branco em 64 é mais importante e elucidativo do que quilos de obras acadêmicas.
No caso do Che,o livro recente de Jon Lee Anderson traz informações muito importantes sobre a atividade do líder argentino:que ele acusou  a URSS e  a China de fazerem  o jogo do imperialismo e de serem,afinal,países imperialistas;que os soviéticos,por isto,mandaram-no sair(não foi por causa da possibilidade de ser assassinado([como diz o Waack]{isto sempre pode acontecer});que o Che afirmou que continuando a atuar assim o socialismo,a longo prazo,seria liquidado(uma consciência que os comunistas (quase)todos já tinham depois de 68).
Eu aprendi que ler é bom,mas ver tudo o que sai sobre os fatos e fenômenos da vida é importante.Historiador brasileiro parece não ver documentários,por preconceito contra jornalismo e televisão.
Há um documentário muito recente sobre as relações de Fidel e Che após a exigência dos russos.Che sabia que ,segundo o marxismo,não há revolução comunista nacional e a sua  idéia  de espraiar a revolução era para cumprir este fundamento.
Che alegava que a revolução cubana ia entrar para o mesmo caminho do culto à personalidade se ficasse isolada,se não levasse esta verdade em consideração.
Historicamente todo mundo sabe(menos os acadêmicos que falam sobre marxismo)que os escritos de juventude de Marx e Engels que tratam do problema, só foram publicados na URSS em 32 ,por Riázanov.
Che não era trotskista,ele era marxista.A idéia de uma revolução universal está em Marx e é uma conseqüência da concepção moderna,iluminista ,do comunismo.Trostki sabia deste último fato e publicou livros sobre isto,sem conhecer os textos marxianos de juventude,mas sabia que era assim.
Quando Che foi para o Congo,tinha esta consciência.Não foi engraçado nada.A articulação com a África Central dependia dos esforços de construção da tri-lateral,que estava sendo feita pela Argélia e principalmente o Marrocos,através de Ahmed Ben Barka.
Quando este último foi preso,torturado e morto pelo general Oufkir,o esquema gorou e a importância do Congo cresceu na razão inversa da sua impossibilidade.
Nos diários do Congo de Guevara fica claro que sem este suporte o líder da Independência Congolesa,Laurent Kabila não aceitou a visão  internacionalista do Che,se recusando a fazer do seu problema um problema mundial.
Che voltou para Cuba ,fez a viagem internacional em que acusou os países socialistas e planejou,mesmo com a  derrota africana,a tri-lateral,a partir da Bolívia.
Primeiro discutiu muito com Fidel o culto à personalidade,o isolamento da revolução cubana,as perspectivas futuras do socialismo.
Antes de chegar à Bolívia,foi para a Techoeslováquia, onde escreveu alguns textos sobre estes problemas,afirmando o liquidacionismo do socialismo,por causa do chauvinismo de grande potência,notadamente da URSS.
Desde o inicio a revolução cubana alegou diferenças em relação ao socialismo real,mas dependeu dele e Che ,ao se sacrificar(é uma discussão se valeu a pena ou não)visava exatamente seguir os paradigmas  básicos do Marxismo.
Gramsci e Guevara permanecem por razões diferentes,mas Che é um mito porque ele defendeu aquilo que todo mundo sabe:resolver o problema social hoje é resolver no âmbito mundial.É isto que o torna ainda um mito.
É lógico que há problemas:o fato dos cubanos o colocarem no tribunal que fuzilou opositores do regime,foi uma atitude oportunista pois  que não queriam se indispor com os seus cidadãos.Isto prova que a aderência ao socialismo não era tanta assim.É lógico que isto pôs a vida do Che em risco,mas há mais coisas em torno de tudo isto,não o que é conveniente para esta direita ruim que só cresce por causa da pobreza igual da esquerda.
Eu não gosto de citar nomes,mas no caso aqui vale como fecho cristalizador destes argumentos:na época do impeachment de Dilma Fernando Morais acusou Marco Antonio Villa de ser intelectualmente pobre,mas numa entrevista no Senado,Fernando disse que era chavista porque ele ia distribuir dentaduras para os venezuelanos.
Quer dizer, as pessoas que estudam,que se dedicam,que são profissionais, estão entre estas duas pobrezas e a realidade vai se complicando.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

A Coréia do Sul




O que a Coréia do Sul fez na última quarta-feira ,para irritação de Trump ,é o que deve ser feito para evitar a catástrofe.E é o que o ditador norte –coreano quer com toda esta agitação.Sempre foi isto.
Sendo a Coréia do Sul a mais ameaçada ela não teve outro jeito senão oferecer ajuda financeira,mas isto é apenas inicio de um processo diplomático a ser  continuado.
Kim Jon Il quer legitimar o seu regime através da chantagem,mas o efeito de uma relação com os outros países é mais benéfico para uma transição pacífica de regime,como se viu e se vê em Cuba.
O ditador sabe que é uma responsabilidade histórica terrível destruir um país inteiro.E os sul-coreanos mais do que ninguém,sendo eles “ Coréia” também,com familiares morando até hoje no norte.
A perspectiva de Trump é a de um espectador longínquo,mas obrigado a proteger suas alianças e as suas áreas de influência.
Aí entra o Japão,que fica numa situação ambígua de pedir esforços diplomáticos,mas querer igualmente “ independência “ no pacífico.
Contudo a atitude humanitária é a da Coréia do Sul,pelo motivo acima exposto,das famílias divididas e é base que deve servir de fundamento à diplomacia,se se quiser humana.
Mas o imponderável continua atuando em favor da guerra nuclear.


A cólera das legiões




O pronunciamento do general  na última semana é a continuidade da História como farsa.64 continua aí:os erros crassos da esquerda ,que quer resolver os problemas na força e a reação da direita se fazendo mais presente.
O ato em si do general Mourão(que não é o vaca fardada...)não ter sido punido demonstra a fraqueza da autoridade e de outro lado se punição houvesse a repercussão seria muito maior e favorável à direita.Ou seja,estamos num beco sem saída.Só falta catalisar um sentimento de medo na sociedade civil brasileira,tão desorganizada ,para o rastilho de pólvora explodir o paiol.
E o pior de tudo:a intervenção constante e já de anos nas comunidades,nos problemas sociais,cria na imaginação de todos um arremedo de segurança que pode ser este catalisador.Tudo conspira novamente  para uma solução de força.
E ninguém duvide de que esta fala foi casual e fortuita,porque ela já segue uma estratégia,uma temporização,nas quais se encaixa o militar.
Os políticos,corruptos, perderam e perdem ,cotidianamente, o respeito do povo e a esquerda só fez besteira nos últimos 12 anos.Então o cenário está pronto para mais esta pantomima.